Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

A culpa da Alemanha na crise

tinha escrito um texto com este título. No entanto, esse texto foi mais teórico. Aí defendi que os três instrumentos de política macro-economica (a saber: o défice do Estado, a taxa de juros de referência e a taxa de câmbio) estão desiquilibrados na zona euro. O primeiro é decidido ao nível nacional; os últimos ao nível da zona euro. Na medida em que estes dois últimos tendem a seguir o interesse da Alemanha e, por isso, a ajustar-se à economia alemã, tendem também a castigar as economias periféricas.

Mas hoje pretendo apenas citar dois textos que li que confirmam isso. O primeiro foi publicado, há dois dias, na Foreign Affairs (revista de política externa da Casa Branca):

As raízes da crise [grega] estão bem longe da Grécia; estão na arquitetura do sistema bancário europeu. (…) O défice grego foi um erro de arredondamento, não razão para pânico. (…) Como Otto Pöhl, ex-diretor do Bundesbank, admite: todo o aparato “foi para proteger os bancos alemães e, especialmente, franceses da inadimplencia“.

E no blog de P. Krugman, no New York Times de 3 de julho, li

Vamos falar da Finlândia (…) Já vai no oitavo ano de uma crise que reduziu o PIB per capita em 10% e não dá sinal de acabar. (…) A Finlândia teve uma crise económica severa no final dos anos 80 – no seu início, foi muito pior que a actual. Mas pôde solucionar rapidamente o problema em grande medida por via de uma acentuada desvalorização da moeda que tornou as exportações mais competitivas. Neste momento, infelizmente, não tem moeda para desvalorizar.

A união monetária é, de facto, uma aberração!!!

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9 de Julho de 2015 - Posted by | Brasil, Mundo | , , ,

2 comentários

  1. Certain things are clear as water.

    #1) What we learn in the University was this:
    GDP (Y) is the sum of consumption (C), investment (I), government spending (G) and net exports (X – M). Y = C + I + G + (X − M)
    So, there is no way that Y is growing if it is implemented massive decrease of C, I, G or X! Wake up call, please. Spend better INSTEAD of Spend less is the rule to apply if we want stimulate Y.

    #2) There are at least three layers in any community:
    Layer 1) Political Layer
    Layer 2) Monetary/Finance Layer
    Layer 3) Economic Layer

    #3) Since we can find combinations of fractal/Pareto in all the layers it becomes clear that Layer 1) and Layer 2) do not work by making/forcing (miracles of invisible hand) the members adopt “rules” such as the one derived from treaties (examples: deficit of 3%, public debt of 60%, Macroeconomics Imbalance Procedure for members that export more than 6% and so on). So…

    #4) What was thought in 1957 (Rome Treaty) could only be achieved if the “people” would demand the “elite” for a Politic Union (Layer 3). It is like the layer 1) and layer 2) had the seeds that would not resist to any type of design (including failure by design) leading to Political Union.

    #5) And the Political Union arrived in the correct timing because the next goal is the Political Union (Layer 3) with the other side of the Atlantic through TTIP. And TTIP is the Layer 1), the equivalent of 1957.

    Comentar por kiitossakidila | 9 de Julho de 2015

    • «Spend better INSTEAD of Spend less is the rule to apply if we want stimulate Y».

      Isto é o que eu ando a dizer desde o início da crise. Aliás, em fevereiro de 2013, salvo erro, saiu um estudo do Banco de Portugal segundo o qual a redução do G em 1 euro custa 2 euros de PIB, pois tem impacto em C e I: os fornecedores do Estado deixam de consumir e investir.

      Não obstante, o que é «Spend better»? Keynes somente disse «gaste-se mais».

      Abraço.

      Comentar por Jose Ferreira | 9 de Julho de 2015


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