Fala Ferreira

Assim me saúdam os amigos de Guatemala.

Papa Francisco

A visita do Papa ao Brasil foi, no mínimo, mais uma realização de sincretismo. Aliás, a Igreja Católica sempre se deu bem quando fez esta opção. Cresceu na Europa cristianizando os símbolos pagãos; e enraizou-se na América Latina misturando-se com a cultura local. (A esse propósito, eu gosto de dar  como exemplo o altar da Igreja de Santiago Atitán. Ali, a imagética católica se cruza com a maya). Na semana passada, no Rio de Janeiro, o sincretismo foi outro. A visita papal foi um grande negócio, certamente turístico e realizado à medida da especulação imobiliária; que, no entanto, apresentou um Papa que fez, no Vaticano, uma curva à esquerda. A visita à comunidade da Varginha na favela de Manguinhos foi apenas a caridade previsível. Surpreendente foi o discurso em apoio aos protestos dos jovens brasileiros contra o governo. Surpreendente foi a abertura ao diálogo com a Teologia da Libertação (aqui também). Surpreendente foi, por fim, ouvir do papa Francisco “Quem sou eu para julgar os gays?”.

Ao contrário de outros, eu não procuro, nesta contradição, o lado certo. Como marxista, devo saber que a vida é feita de unidade de contrários; que a pureza programática é um mito cartesiano. Esta contradição é o programa que vai marcar o papado de Jorge Mario Bergogli. Um progresso considerável, uma curva à esquerda…  dado o seu ponto de partida: o anticomunismo de Karol Wojtyla, e missão evangelizadora, de uma igreja fechada sobre si mesma, contra o catolicismo não praticante, pai do agnosticismo, de Joseph Ratzinger.

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29 de Julho de 2013 - Posted by | Ideologia, Mundo | , ,

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